um jornal de pe(n)samentos, que busca os indícios de um novo futuro, pelos caminhos da arte, da ciência, da filosofia e da política
domingo, 11 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Livros
Estimado amigo,
Como o inconsciente, que não tem história, a amizade desconhece as regras do tempo. O amor, enfim, em todas as suas formas, eros, philia, agape, storge, que, diziam os antigos, tudo vence, não precisa de experiência, nem de meditação, ele é ou não é, et nos cedamus amori.
Indaga-me como amigo quais seriam os livros importantes, aqueles que, lidos, conformariam a sabedoria, talvez menos a erudição, comporiam o patrimônio do que chamamos, desde o século XVIII, de civilização.
Há, é claro, os róis preparados por homens efetivamente eruditos, de cultura reconhecida porque haurida dos clássicos, que acabam por ser exatamente aqueles que devemos ler.
Mas o clássico depende de regra, de consenso dos doutos. Nem sempre queremos ser doutos. O mais das vezes queremos ser apenas nós mesmos, simples, iguais, no exercício da originalidade, que define o hominídeo, capaz de se adaptar e mudar sua conformação, ao ponto de romper as leis naturais e destruir-se a si mesmo. A criança nasce, assemelha-se a um ser vivo qualquer, que pede cuidado e alimentação. Passado um ano, mais ou menos, começa a agir como ser humano, recusando o que é saudável, buscando o prazer e fugindo da dor. Mas não sabe, senão depois de longa preparação, o que lhe traz prazer duradouro. Por isso, passamos boa parte de nossa vida procurando o prazer mais fácil, que nos cobra a dor mais duradoura.
Tem remédio a condição humana? O próprio termo pharmakos significa remédio e veneno, assim como o bem e o mal separam-se por tênue linha, amor e ódio, mentira, verdade, saber, ignorância, vingar, perdoar.
Pois então: os livros são, de alguma forma, como os remédios, que fazem bem e mal, dependendo do momento em que os lemos, do espírito que anima a leitura, do modo como dialogamos com os autores, a partir do que queremos dizer, ao ouvir deles o que gostariam de ter dito.
Os livros podem ser máscaras, por onde soa a voz... do leitor. É assim, aliás, que os religiosos bradam os livros que consideram sagrados, instrumentos para a exposição de seu próprio dogmatismo, de sua própria concepção de mundo. Se os autores dos livros sagrados, divinos e humanos, soubessem que não seriam lidos, mas apenas citados, desistiriam de seu intento de escritura. Ou, quem sabe, tenham mesmo sido sábios ao ponto de permanecerem anônimos, escondidos sob o véu do nome de outros, pouco reais, pouco imaginados. O próprio Deus dos monoteístas, Alá, Iavé/Jeová, talvez tenha deixado publicar apenas uma versão mais popularizável de suas ideias, escondendo, com medo da vulgarização, boa parte do que concebeu. Talvez tenha escondido também a melhor parte de nós mesmos, tornando-nos parciais e incapazes de realizar a grandeza da concepção que temos de nós mesmos - que nunca se encaixa na realidade e gera tanta exclusão, intolerância, dominação, exploração, opressão. Sendo apenas parte do que poderíamos ser, queremos sempre transformar os outros à nossa imagem, presumindo que a perfeição nos pode ser dada pelo meio de esconder, pela desigualdade, a imperfeição da simples diferença.
Mas vamos aos livros. Sem eles, para o bem e para o mal, sabendo ou não disso, tendo-os lido ou ignorado, não seríamos o que somos, nem o que presumimos ser, nem o que pretendemos ser e pretendemos que os outros sejam.
Eles estão aí - na maior parte desconhecidos - como risonhos construtores de nosso modo de ser, quem sabe inventores de nossa identidade, ou do que achamos que possa ser.
Mas foram escritos por outros de nós. O que significa que somos os artífices de nosso próprio engodo, que, tanta vez, chamamos destino.
Presos na malha da ficção, somos porém livres. Não como pássaros, somente, despossuídos dos instrumentos que usamos para trabalhar o mundo. Mas sobretudo livres para a morte, nosso destino mais igual e igualitário. Não nos conformamos com isso, é claro, e construímos uma hierarquia para ser vivida após a morte. Algumas dessas concepções de nova vida já foram refutadas pelos fatos: os pobres seres embalsamados, no antigo Egito, não despertaram em nenhum Paraíso, mas dentro das vitrines dos museus, vivendo o pesadelo da observação descuidada, impiedosa, constante e vulgar de turistas.
Sendo, pois, a nossa vida assim muito semelhante, nos sonhos que sonhamos e nos pesadelos que vivemos, parece evidente que a originalidade humana nasceu cedo, mas se tornou preguiçosa, aderindo logo à arte da imitação.
Por isso estava certo o poeta que disse que foram poucos os livros escritos, porque as poucas histórias que contaram vieram a ser recontadas constantemente, mesmo que com outros nomes, outros títulos, outros autores.
Segundo tal concepção, as poucas histórias realmente originais estariam nos primeiros livros, escritos por gente realmente industriosa e inteligente na arte de contar histórias e perpetuar na memória de leitores um enredo, cuja nostalgia fez com que fossem infinitas vezes compiladas e recompiladas.
Para o mundo que se convencionou chamar de ocidental (um grave equívoco, baseado em embustes e ficções medievais), tais histórias primeiras seriam evidentemente o antigo e o novo testamentos, além da Ilíada e da Odisséia.
Seu poder de preservar-se esteve na genialidade da concepção e do uso da arte de contar histórias. Essa arte é oral. Por óbvio, as fontes de todas as histórias, malgrado escritas, preservaram a sua melhor qualidade por guardarem o estilo e o sabor da oralidade. No que perde a afirmação que antes aqui fiz. Nem os primeiros livros são primeiros, pois suas histórias são compilações... de livros não escritos.
Ponto, pois, para um terceiro livro sagrado, que se acredita mesmo mera parte da revelação divina, que continua a se fazer e não é plenamente apreensível pela forma do livro, pela escrita. Assim se concebe o Corão.
Mais um livro importante, porque seminal. Já são cinco.
Haverá tempo, vita brevis, para a leitura e meditação de outros livros? Haverá necessidade disso, já que as demais histórias seriam as mesmas histórias?
Paradoxalmente, respondo que sim e sim.
A primeira resposta afirmativa apenas é decorrente do que já disse: não lemos os livros, mas a nós mesmos por meio deles. Lemos os livros para viver a vida fora (aparentemente) deles. Nossa leitura é rápida, breve, não se detém. Podermos ler todos os livros, não sejamos mais preguiçosos da leitura o quanto fomos da inventividade.
Cinco livros pra começar.... mas, é uma pena, não podemos lê-los com liberdade. Estão escondidos por séculos e séculos de outras leituras. Não conseguimos escavar o bastante para encontrá-los, nem temos essa capacidade.
Se for só pelo prazer lúdico de buscar um substrato arqueológico, do que são hoje tais livros na superfície, ainda vá lá. Mas há o problema adicional da guarda de tais substratos - selados, ensegredados (é um neologismo, para dizer o contrário de segredar) – pelos sabidos oficiais. Não se pode sair por aí desvendando substratos e cometendo erros de leitura e interpretação: um dos sabidos sempre vai corrigi-los e dar nota. Mais um ponto a menos para a nossa inventividade.
Por causa disso, outros livros foram escritos: quebram o segredo, sem dizê-lo. Recontam, ou melhor, refazem a história, rearranjam o enredo. Veja esse exemplo breve: um arqueólogo que chamou sua ciência de psicologia profunda, deu o nome de Édipo a um complexo de relações do início da existência. Referia Oedipus, um mito, depois uma peça teatral, depois, segundo a interpretação freudiana, uma outra peça teatral, cujo nome seria Hamlet. Ou seja, várias vezes a mesma história, mas contada de várias formas, cada uma delas obra da arte de seu contador. E depois ainda veio a história recontada por outro arqueólogo-filósofo, que assimilou o enredo ao curso de um julgamento. Vale a pena ler todos esses livros, todas essas versões? Claro que sim. São mais quatro livros, fora, é claro, as compilações de mitos propriamente ditas, que são inúmeras.
Até aqui, como já percebeu, não estou diretamente respondendo a sua pergunta, mas contando uma outra história, que começa, mais ou menos assim (como comecei pelo meio da história, agora preciso dizer como começa o começo): “No princípio, não era o verbo...” Por quê?
São várias as razões, mas a mais lógica é a seguinte: se o livro é um remédio... vem depois do mal que deseja curar, ou do bem que deseja recriar.
É por isso que, em boa parte dos primeiros livros, o autor é autêntico e começa a falar de alguém sem explicar muito quem seja. Ele pressupõe que todos já saibam de quem se trata.
Noutras vezes, o autor é falso, pretensiosamente original: ele explica quem é a personagem, diz porque se chama assim, quem eram seus ascendentes, quem serão seus descendentes, como formou seu caráter e por aí vai: no mínimo, dupla mentira: não foi o autor quem inventou a personagem; ele conta sua filiação só para agradar alguém do momento, ou adular seu povo, ou justificar os caprichos de um tirano, que se quer fazer povo... Exemplos inúmeros. Estão nos autores dos textos sagrados, abundantes, estão em Homero, em Virgílio, em Camões, e a lista não acaba mais. Vale a pena ler esses dois últimos aí? A descida ao inferno de Aeneas é uma das mais belas cenas já desenhadas. O dilema civilizador lusitano e sua dependência, muito cedo, da cultura dos mundos que ocupou, ajudam a entender muita coisa de nossa forma hesitante de ser. E Dante? Incipit Vita Nova!
O remédio da literatura, enfim, intoxica. Não conseguimos nos livrar dele. Seria uma boa coisa desvendar a razão disso. Para tanto, seria necessário recomeçar nossa história, agora do fim (já vimos o meio e o início).
Tenho mais um pouco de sua paciência de leitor?
Pois lhe digo: o mais belo de todos os livros é um livro que não existe. Não existe porque não foi escrito. É o livro que todos podemos e devemos escrever, mas que não esgotará a vontade e o desejo de ler o que não está escrito, pois outras gerações virão, dotadas do mesmo desejo, da mesma vontade.
Hoje em dia, em geral, os livros escritos são muito pobres de idéias, de imaginação. São pobres de história e na arte de contá-las.
Mas são pobres sobretudo de ética: meros plágios, sem muita arte, sequer reconhecem isso. Pior, gabam-se de originalidade... claro. Mas não é isso que chamo de falta de ética. Sabemos, desde os Antigos, que o que chamamos de criação é o entrelaçamento do que lembramos e esquecemos, conhecimento e desconhecimento, consciência e inconsciência.
Isto lança minha breve reflexão a uma obra que dá conta exata do poder da linguagem escrita, ao se apoiar na oralidade, mas acrescentar a capacidade de fazer o mundo abandonar a circularidade do tempo e começar a se perceber como fluxo em direção a um caminho impensado. Em algum lugar de La Mancha, de cujo nome não consigo recordar, vivia um fidalgo... Quem é que não se lembra dessas palavras, que são como o início do texto sagrado dos romances, da abertura à modernidade da experiência. Quantos jogos não construiu Cervantes, quantas ironias, escrever cartas para quem não vai ler, assistir ao sucesso do livro que está sendo escrito, embustes, ilusões a, até mesmo, realidade. O Dom Quixote é talvez o melhor momento de reflexão sobre a condição humana, que são múltiplas condições, mas também sobre o que pode realizar e seus limites. Mas uma obra sem vaidade.
Ética é caráter e destino comum. O que todas as obras que referi tinham de construção e reflexão sobre caráter e destino comum... perdeu-se nas obras de hoje, que são destituídas de caráter e de preocupação com o destino comum. Muito óbvias, pretensamente imparciais e universais, sem opinião, mal escritas para agradar o gosto mais vulgar, apenas frustram.
Há, em decorrência disso, uma condescendência com a mentira. Querendo parecer boazinhas, as pessoas andam mentindo muito. Escrevem o que não pensam, curvam-se a uma idéia de comunidade que não existe. Intimamente, são capazes das piores ações, dos piores pensamentos, mas mentem. Como são tolas as pessoas, hoje em dia, querendo parecer boas aos olhos de todos. E como são tolas as apologias constantes, cotidianas. Que perda de tempo e de material... Quanta homenagem à vaidade...
Os livros que todos gostaríamos de ler ainda estão à espera de ser escritos. Será que retrabalharemos os livros antigos, novamente com qualidade? Será que criaremos novas histórias, teceremos novas tramas? Espero que sim.
Antes de concluir, gostaria de citar o nome de alguns livros, que me agradaram e cuja leitura recomendo. São poucos de uma lista imensa, que sequer tenho paciência de passar para o papel. Mas acho que a lista vai agradar muita gente, que também citaria os mesmos livros, ou que venha a também os ler.
Muita gente pode ter lido, mas cada um leu de modo diferente, o que é muito bom. Como a biblioteca pessoal de cada um.
Tenho orgulho de possuir uma, com aproximadamente dezoito mil livros impressos – fora os que guardo, hoje, em meu computador. Essa biblioteca pessoal tem obras que foram de meu pai, Alfredo Attié (as que mais gosto são seus cadernos de estudo de latim, no antigo ginásio, os livros de estudo de grego), de meu tio Hélio Marzagão Barbuto e de sua amiga Mafalda, além de um livro de de cada um de meus tios Francisco e Antonio Barbuto, Luís Attié, outro de meu tio avô Paulo Marzagão, outras de queridos amigos, Horst Bardua, Renato Janine. Ainda guardo os livros que ganhei na infância e juventude de minha mãe, Maria Lucy, clássicos que líamos juntos, às vezes competindo pelo menor tempo, pela melhor resenha.
Mas para os livros há dois prazeres: para muitos o de apenas ter, para outros, o de ler.
E minha indicação se dá de poucos livros, apenas referindo o prazer da leitura, sem afetação, aquele que nos faz rir e chorar, eruditos e mundanos.
Todo autor, assim penso, ao escrever, está referindo, às vezes sem dizer, o que leu. Portanto toda boa obra está a indicar os seus clássicos.
Entre tais leitores-escritores, sugiro, na língua espanhola, Jorge Luis Borges e, italiana, Italo Calvino. Seus estilos são tão marcantes, que qualquer uma de suas obras abrirá as portas para todas as demais. Mas que tal, respectivamente, Pierre Menard Autor do Quixote, e As Cidades Invisíveis?
Para citar brasileiros, faço-o do quatuor que, criticamente, abre a reflexão do que somos e podemos ser, desvinculando-se das amarras da literatura anterior, apologética, reprimida: Sergio Buarque de Hollanda e Raízes do Brasil, Gilberto Freyre e Casa Grande e Senzala, Caio Prado Junior e Formação do Brasil Contemporâneo, e Mario de Andrade e Macunaíma. Ainda acrescentaria Guimarães Rosa e Grande Sertão Veredas e Clarice Lispector e a Paixão Segundo G.H..
Para citar dois autores de língua inglesa, cujos textos estão aptos a derrubar muitos preconceitos e dogmas estabelecidos, Henry David Thoreau e Walden, e Joseph Konrad e Heart of Darkness. Mas não esqueço o divertimento de outro texto inaugural, O Tom Jones de Henry Fielding.
Pensando na língua alemã, porque não endossar a dúvida sobre nossa pretensa capacidade de fazer e de criar: Homo Faber, de Max Frisch.
Ou, na língua holandesa, de nos definirmos pelo saber ou pela seriedade de nossos propósitos: Homo Ludens, de Johan Huizinga.
Da língua francesa, cito dois viajantes contemporâneos, Lévi-Strauss e Tristes Trópicos, e Pierre Clastres e a Crônica dos índios Guayaki. Os livros de viagem que nos ensinam a sermos outros e a respeitarmos e integrarmos a alteridade, como os antigos Heródoto e Tucídides, refletindo sobre o que somos. E cito também os viajantes persas e suas Cartas Persas, de Montesquieu.
Muita mais há de ser dito, mas encerro aqui, dizendo que, afinal, todos os livros que são realmente livros, ensinam-nos a liberdade de sermos nós mesmos e a igualdade de respeitarmos seus autores e os autores por trás deles.
Enfim, o que nos define é a alteridade e não a identidade.
Um grande abraço do Alfredo Attié.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Extra, extra!
"- A culpa é da mídia, que fica criando essas falsas expectativas na classe média... Eu sempre disse que mídia e média são o inferno na terra... Pra que tanta reclamação? Tá todo mundo ganhando um dinheirinho extra cá e lá... Político também é gente!" - disse o conde a nosso correspondente. Pediu e até exigiu que fosse identificado, mas nosso correspondente, sábio, apesar de ainda estudante, achou que era só pra conquistar mais eleitores. A ver.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Manifestação Estudantil põe governantes contra a parede
De nosso correspondente; "Estudantes fazem, em todo o País, em ato de veemente protesto pela melhoria da situação de ensino. Em várias universidades do País, os estudantes, num total de aproximadamente cinco mil e duzentas pessoas, realizaram caminhadas, que duraram, também aproximadamente, quinze minutos, ao final das quais, foram distribuídos panfletos - de propaganda das empresas que patrocinaram a iniciativa -, e folders de lançamento de condomínios. Alguns dos presentes discursaram. Ao final, foram aprovadas moções de apoio aos esforços dos Governos Estaduais e Federal para a efetiva melhoria da Educação, esforços que se refletem nos exames nacionais, internacionais e nas estatísticas oficiais. Os estudantes apresentaram proposta de destinação de parte da receita do pré-sal para a educação, além de dez por cento d orçamento da União e dos Estados para o fundo da educação. Uma missiva especial foi dirigida ao Ministro dos Esportes, reivindicando parte da verba da Copa e das Olimpíadas e que pelo menos uma das universidades envolvidas possa sediar ao menos um evento, sendo sugerido, especificamente, uma tarde de autógrafos de algum atleta estrangeiro, como o George Clooney ou o David Beckham . Aprovaram remeter ofício aos Senadores e Senadoras, com votos de felicidade, extensivos aos respectivos cônjuges. O dia de protesto, como foi chamado, contou com a participação de vários estudantes estrangeiros. Foram sorteados vários kits-viagem para estações de esqui, na Argentina e no Chile.
O ponto alto foi o sorteio de uma viagem à Disney, com direito a acompanhante, aos presentes O vencedor, em entrevista exclusiva a este periódico, revelou que está desempregado e não estuda em nenhuma Universidade. Apenas viu passar aquela garotada e ajudou a carregar as faixas. Achou a festa muito bonita, mas lamentou que não tivessem sido distribuídos sanduíches nem refrigerantes. Não deixou de agradecer muito aos organizadores do evento e pediu para colocarem o nome dele nas cartas aos senadores. Perguntado se conhecia algum deles, disse que sim, lembrava-se vagamente de um tal Feijó. Os Governos viram com bons olhos a manifestação e prometeram estudar com afinco as reivindicações. “Essa moçada é muito sapeca”, disse um Governador do sudeste, que pediu para não ser identificado. Outro Governador, que tambem preferiu o anonimato, mais experiente, sentenciou: "Vejo muito baseado nessa postura estudantil. Nao sei nao, muito tranquilos..." O Governo Federal prometeu mais verbas para carros alegoricos e eventos culturais: "O sertanejo, antes de tudo um forte, ja chegou a universitario. Mais carros alegoricos para a moçada". Os estudantes concederam o prazo improrrogável e definitivo de dez anos para a resposta a suas reivindicações. Nova reunião foi marcada para 2021. Os estudantes alertaram que permanecerão em mobilização simbólica até lá. Após a discussão de algumas sugestões, adotaram o mote da campanha sugerido por uma estudante visitante chinesa: 'Não importa quão devagar você vá, contando que não fique parado', segundo ela um dos ensinamentos de Confúcio. Um dos estudantes brasileiros presente, porém, disse que a frase foi tirada de uma reportagem sobre o trânsito paulista. Teria sido pronunciada pelo Secretário de Transportes de São Paulo... ”
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Sobre mim
"Guia-me a só razão. Não me deram mais guia. Alumia-me em vão? Só ela me alumia. Tivesse quem criou O mundo desejado Que eu fosse outro que sou, Ter-me-ia outro criado. Deu-me olhos para ver. Olho, vejo, acredito. Como ousarei dizer: Cego, fora eu bendito? Como olhar, a razão Deus me deu, para ver Para além da visão - Olhar de conhecer. Se ver é enganar-me, Pensar um descaminho, Não sei. Deus os quis dar-me Por verdade e caminho"
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
I Want My America Back -- not the Tea Party's America
I Want My America Back -- not the Tea Party's America
Judge H. Lee Sarokin.
(Retired in 1996 after 17 years on the federal bench)
When I was a kid and we were deciding what games to play and how to play them, our slogan was "the majority rules." That constant and lofty principle ranked right up there with "loser walks" after a touchdown in sandlot football. The bullies and the brats who stamped their feet to get their way did not make the rules. We carried the concept of majority rule into our adult lives and assumed it applied to government as well, but apparently that is no longer the case. Some of our elected representatives would bring down this country in pursuit of their own jihad. The majority no longer rules, and we are all losers as a result. When have we ever had a statute enacted when so many legislators voted their approval and simultaneously voiced their disapproval? The country is in a state of despair -- and for good reason. The stock market has obviously given the debt-ceiling "compromise" and the debate leading up to it a flunking grade as has Standard & Poor's.
Wiser voices have spoken about the consequences of the legislation saving the country from its credit default. I am interested and concerned with the process. The undisputed fact is that a minority of the country has taken over its control. Although the cabal may not share blood oaths or secret handshakes, they have their intractable pledges and fanaticism that makes them willing to destroy this country's and possibly the world's economy to achieve their ends. By holding up a vote on what had been a traditional rubber stamp for decades by both political parties to raise the debt limit, they sought to extort compliance with their own demands irrespective of the destruction that might ensue if their demands were not met. This conduct strikes at the very foundations of our democracy and the future of our country.
The same is true of the use, or rather the abuse, of the filibuster rule and need for a super-majority. The filibuster rule was enacted and reserved for those rare occasions when the minority was so incensed or outraged by legislation or appointments proposed by the majority or the president that it used this rule to defeat them. For years, an actual filibuster was required. Now, no one need stand in the well of the Senate and actually filibuster, the mere threat is sufficient, and the rule is used in a trivial manner to defeat or delay virtually all important legislation or appointments proposed by the majority. (I have previously expressed my ambivalence over the survival of 60 vote rule.)
Who can quarrel with noble and popular goals of less government taxes and spending, the reduction of the deficit and the elimination of waste? They are the "Mom and apple pie" of politics. But there is certain hypocrisy in suggesting that this pact not to raise taxes, end or reduce subsidies, loopholes or deductions for the very wealthy is the result of some "grassroots" movement by the public at large. In resisting efforts to raise taxes on the rich and eliminate their deductions, subsidies and loopholes, the argument is made by conservatives that the rich already pay most of the country's taxes. They argue that a large portion of the nation pays little or no taxes. Therefore, by their own admission, this intractable resistance to raising revenues from the wealthy is not some uprising of the people, but rather for the benefit of those that have rather than those who have not.
Apart from the early, classic Tea Party slogan, "Keep the Government out of Our Medicare," the cry was, "I Want My America Back". Well, I want MY America back too. Yes, the deficit must be reduced, waste eliminated, spending curtailed, and entitlements reviewed and probably reduced, but we need a government that operates by compromise not coercion. I want an America that builds bridges and hires workers to build them. I want an America that educates its children, feeds its poor, helps the unemployed, cares for its veterans, provides for the elderly and treats the sick who cannot afford it. I want an America that protects its environment, its food supply, its consumers and its borrowers. I want an America that is more concerned about the civil rights of its citizens rather the mythical invasion of Sharia law. What I don't want is to deny any or all of the foregoing in order to protect the wealth of the wealthiest among us. I want an America that cares as much about its people as it does about its corporations. I want an America that reflects the will of the majority in the decisions it makes and not some small, fringe group that threatens the country and its people in order to achieve its goals. I want an America that is not governed by bullies and brats who insist on making the rules. I want an America in which the rules that governed my childhood playground govern the country as well.
There is no such thing as society
Já dizia Thatcher: “Essa coisa de sociedade não existe”
in Bate Estaca: por Camilo Rocha
Geralmente, Londres aparece aqui no blog por motivos muito cool: tendências, música, festas, cultura pop.
Mas, desde sábado (6), Londres está em chamas e o cenário só piora. Os distúrbios, saques, incêndios e quebra-quebras se espalham pela cidade (e fora dela, agora que Birmingham, Manchester, Liverpool e Bristol também registram problemas).
Minha família costuma ficar em Hackney quando está em Londres. Minha mãe está por lá e nesta segunda (8), depois de ir ao centro do bairro para compras, voltou assustada quando a situação começou a ficar tensa. Lojas todas fechadas, helicópteros pelos céus, jovens encapuzados correndo pelas ruas e sensação de caos.
Há dois fatores por trás dos distúrbios: o estopim do momento, que foi a morte de um homem negro causada pela polícia; e um ressentimento mais antigo e profundo que envolve questões raciais e sociais, amplificados num país em crise com um governo que vem realizando sucessivos cortes em benefícios e auxílio.
Aqui matéria do The Guardian sobre o fechamento dos Youth Clubs (clubes para tirar jovens das ruas e direcioná-los para esporte, atividades vocacionais e emprego).
Não fez nem um ano que enormes protestos estudantis tomaram conta de Londres. Os manifestantes reclamavam contra cortes no sistema educacional.
Existe, claro, uma grande diferença entre protestar pelos seus direitos e as cenas de vandalismo gratuito e saques que tomaram conta da capital britânica. Pessoas perderam a moradia em incêndios, pequenos comerciantes tiveram prejuízos imensos e jornalistas foram agredidos. Não se pode justificar nada disso, mas deve-se procurar entender o que alimenta a raiva e a vontade de destruir.
Um livro que ajuda a compreender as raízes da tensão social no Reino Unido é No Such Thing as Society: A History of Britain in the 1980s, de Andy McSmith, que analisa a década dominada pelo governo Margaret Thatcher, uma época em que o abismo entre ricos e pobres aumentou muito. Foi o tempo onde se criou um novo paradigma social, mais individualista, expresso na frase de Thatcher que dá nome ao livro: “Essa coisa de sociedade não existe… as pessoas tem que cuidar de si mesmas primeiro.”
Será que o caldo transbordou de vez agora?
O site do jornal The Guardian mantém um update constante dos acontecimentos nesse link aqui.
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